O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado nesta terça-feira (28), marca o ponto alto da campanha Julho Amarelo, voltada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais. No Brasil, a mobilização foi instituída pela Lei nº 13.802/2019.
As hepatites virais provocam inflamação aguda ou crônica no fígado e são classificadas conforme o vírus causador: A, B, C, D (Delta) e E. No país, os tipos A, B e C são os mais frequentes.
Uma das principais preocupações em relação à doença é a evolução silenciosa. Em muitos casos, a infecção permanece sem sintomas durante anos ou apresenta sinais inespecíficos, como cansaço, mal-estar e perda de apetite, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Segundo o hepatologista Adriano Moraes, diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), os sintomas mais característicos costumam surgir apenas em fases mais avançadas da doença.
“Somente quando o quadro evolui podem aparecer sinais como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal e coceira. O fígado sofre em silêncio e possui grande capacidade funcional, o que permite que a inflamação permaneça por muitos anos sem causar sintomas evidentes”, explicou.
Risco de complicações graves
Sem diagnóstico e tratamento adequados, as hepatites virais podem se tornar crônicas e evoluir para complicações como cirrose e câncer de fígado.
No caso da hepatite B, o risco de desenvolvimento de câncer é maior entre pacientes que já apresentam cirrose. Além disso, a progressão da doença pode levar à insuficiência hepática e à necessidade de transplante.
“Esses pacientes tendem a apresentar maior mortalidade devido à descompensação da doença e muitos acabam necessitando de transplante hepático”, destacou o especialista.
Prevenção
Especialistas reforçam que a melhor forma de reduzir os casos da doença é investir em prevenção, vacinação — disponível para alguns tipos de hepatite —, realização de testes e início precoce do tratamento quando necessário. O diagnóstico antecipado aumenta as chances de controlar a doença e evita complicações mais graves.



