Um novo código de vestimenta da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia (FOUFBA), em Salvador, passou a gerar debate entre estudantes após a divulgação das regras nas redes sociais. O comunicado estabelece restrições para roupas e acessórios utilizados por alunos, professores, funcionários e pacientes da unidade.
Segundo o documento compartilhado por um estudante em um grupo do curso de Odontologia, as normas foram aprovadas em reunião da Congregação da faculdade e começam a valer nesta quarta-feira (19), com o início das aulas. A instituição não informou quais medidas serão adotadas em caso de descumprimento.
Entre os itens citados como inadequados estão minissaias, croppeds, bonés, roupas consideradas muito decotadas e shorts curtos.
De acordo com o comunicado, o objetivo seria “estabelecer padrões de apresentação adequados ao ambiente acadêmico e assistencial”.
A divulgação das regras provocou questionamentos entre estudantes, principalmente em relação à restrição de determinadas peças. Parte dos alunos também discutiu nas redes sociais se o código poderia representar uma forma de controle sobre a vestimenta no ambiente universitário.
Direção nega caráter moralizador
O diretor da Faculdade de Odontologia da Ufba, Marcel Arriaga, afirmou ao g1 que a medida não tem como objetivo estabelecer padrões morais para os estudantes.
Segundo ele, as regras estão relacionadas principalmente à biossegurança e à proteção das pessoas que circulam na unidade.
“É uma medida de biossegurança e de proteção. A gente trabalha em um ambiente contaminado por si só. Não tem um caráter moralizador, como equivocadamente alguns estudantes pensaram no início”, afirmou.
Arriaga também citou a prevenção de situações de assédio como uma das justificativas para a adoção das regras. Segundo o diretor, a faculdade é formada majoritariamente por mulheres.
“É uma medida por biossegurança, proteção e prevenção ao assédio feminino, inclusive, porque nós somos uma faculdade essencialmente feminina. A grande maioria é formada por meninas e mulheres”, explicou.
Até o momento, a direção não detalhou publicamente quais serão os procedimentos adotados para orientar ou advertir pessoas que estejam usando roupas em desacordo com o novo código.



