O diagnóstico de câncer de tireoide do cantor Netinho de Paula chama atenção para uma doença que, na maioria dos casos, apresenta bom prognóstico quando identificada e tratada precocemente. Apesar disso, a ausência de diagnóstico e acompanhamento adequados pode permitir o crescimento do tumor e o comprometimento de estruturas próximas.
Localizada na parte anterior do pescoço e com formato semelhante ao de uma borboleta, a tireoide produz hormônios que participam do controle de funções como metabolismo, ritmo cardíaco, temperatura corporal e níveis de energia.
O câncer ocorre quando células da glândula passam a se multiplicar de maneira descontrolada e formam um tumor. O carcinoma papilífero é o tipo mais frequente da doença e representa entre 50% e 80% dos diagnósticos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), a maioria dos casos apresenta bom prognóstico quando o câncer é identificado e tratado precocemente.
Quais são os riscos?
Nas fases iniciais, o câncer de tireoide pode não provocar sintomas e ser descoberto durante exames realizados por outros motivos. Quando não é diagnosticado e tratado adequadamente, porém, o tumor pode crescer e atingir estruturas próximas, como a traqueia e as cordas vocais.
A doença também pode se espalhar para os linfonodos e, em alguns casos, atingir outros órgãos. Nessas situações, o tratamento pode se tornar mais complexo.
“Sem diagnóstico e tratamento adequados, o tumor pode crescer, atingir estruturas próximas, como a traqueia e as cordas vocais, e se espalhar para linfonodos e outros órgãos, o que torna o tratamento mais complexo”, explica a médica Aline Viana, cirurgiã e diretora de comunicação da SBCCP.
Quais são os sinais de alerta?
Um dos principais sinais é o surgimento de um nódulo ou caroço no pescoço, geralmente sem dor. Outros sintomas que devem ser avaliados por um médico incluem:
- rouquidão ou alteração persistente na voz;
- dificuldade para engolir;
- dificuldade para respirar;
- sensação de pressão ou desconforto no pescoço;
- aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas.
A presença de um nódulo, entretanto, não significa necessariamente que exista câncer. Alterações na tireoide são comuns e a maioria dos nódulos é benigna. Por isso, qualquer mudança persistente na região deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Doença é mais frequente em mulheres
A estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta 16.450 novos casos de câncer de tireoide no Brasil em 2026. Desse total, cerca de 13,3 mil devem ocorrer em mulheres.
Entre elas, a doença corresponde a 5,1% dos casos de câncer e está entre os tipos mais incidentes.
Como é feita a investigação?
A investigação geralmente começa a partir da identificação de um nódulo ou de alguma alteração na região do pescoço. Conforme as características observadas durante a avaliação médica, podem ser solicitados exames de imagem.
Em determinadas situações, também pode ser indicada uma punção da tireoide, procedimento utilizado para analisar células da região e auxiliar na definição do diagnóstico.
O caso de Netinho de Paula reforça a importância de observar alterações persistentes no pescoço e buscar avaliação médica quando necessário. A identificação de um nódulo, porém, não deve ser interpretada automaticamente como sinal de câncer.



