Um termo recente tem ganhado espaço em consultórios e redes sociais: “agonorexia”. Embora ainda não reconhecido oficialmente pela comunidade científica, o conceito descreve a perda quase total do apetite associada ao uso de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Os fármacos, conhecidos como análogos de GLP-1, são indicados para tratamento da obesidade e do diabetes e têm eficácia comprovada. No entanto, especialistas alertam que o uso inadequado pode provocar efeitos adversos relevantes.
Segundo o endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a redução do apetite é esperada durante o tratamento, mas a ausência completa de fome deve ser vista como um sinal de alerta.
“A fome é um mecanismo fisiológico essencial. O tratamento deve ajudar a regulá-lo, e não eliminá-lo completamente”, explica.
Riscos associados
A ingestão insuficiente de nutrientes pode trazer impactos que vão além da perda de peso. Entre os principais riscos apontados por especialistas estão:
- perda de massa muscular (sarcopenia);
- redução da força física;
- deficiências nutricionais;
- queda de cabelo;
- relação não saudável com a alimentação;
- fadiga persistente.
O quadro pode comprometer a saúde geral e a qualidade de vida, especialmente quando há restrição calórica exagerada.
Uso exige acompanhamento
De acordo com especialistas, o aumento de casos está relacionado à popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, ao uso sem acompanhamento médico e à busca por resultados rápidos.
A recomendação é utilizar a menor dose eficaz, evitar ajustes por conta própria e manter acompanhamento regular. Também é fundamental garantir uma alimentação equilibrada, mesmo com a redução do apetite.
“O objetivo não é eliminar a fome, mas restabelecer uma relação saudável com a alimentação e com o corpo”, reforça o endocrinologista.



