Áudios atribuídos a Matheus Pires Castro, presidente da Bamor, principal torcida organizada do Bahia, revelam ameaças de agressões físicas e psicológicas contra integrantes do grupo. As gravações, obtidas pelo g1 e pela TV Bahia, teriam sido enviadas a diretores e membros da organizada antes de sessões de tortura que, segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), ocorreram em julho deste ano.
Em uma das mensagens, Matheus convoca integrantes para participar das agressões e menciona a possibilidade de arrancar as unhas de uma vítima com alicates.
“Quem tiver nojo de sangue não vá”, afirma o presidente em outro trecho, ao descrever a violência que pretendia promover. Nas gravações, ele também diz que a vítima deveria sair do local com ferimentos graves para servir de exemplo.
Em uma das falas, Matheus minimiza os riscos de consequências para os envolvidos. Em outra, afirma que pessoas contrárias às agressões ou preocupadas com possíveis denúncias à polícia não deveriam comparecer à reunião.
O presidente da organizada também ameaça provocar ferimentos graves na cabeça da vítima. As declarações fazem parte do material que veio a público durante as investigações sobre o caso.
Dez pessoas foram denunciadas
No dia 2 de outubro, o MP-BA denunciou dez pessoas por crimes como organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Matheus Pires Castro e os outros nove denunciados foram presos em 28 de setembro.
Além do presidente da Bamor, a lista inclui Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente; Gabriel Pereira Silva, diretor-geral; Daniel Sena Duarte, diretor de sede; Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing; Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio; Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria; Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede; Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro; e Fernando Santana Esquivel, policial militar apontado como integrante da torcida organizada.
Em nota, a defesa de Matheus Pires declarou que ele é inocente e afirmou que todas as medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas.
As acusações estão sob apuração das autoridades, e a denúncia do Ministério Público ainda deverá ser analisada pela Justiça.



