Caso de sarampo acende alerta para cobertura vacinal no país

Proteção coletiva é essencial para quem ainda não pode se imunizar
Jéssica Gomes
Igor Santos/ Secom PMS

A confirmação de um caso de Sarampo em uma bebê de 6 meses, em São Paulo, reacendeu o alerta sobre a importância de manter altas coberturas vacinais no Brasil. A criança ainda não tinha idade para receber a vacina, o que reforça o papel da imunização coletiva na proteção dos mais vulneráveis.

De acordo com o calendário do Sistema Único de Saúde, a primeira dose da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — é aplicada aos 12 meses. Aos 15 meses, é administrada a tetra viral, que inclui também a proteção contra a catapora.

Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, quando a cobertura vacinal está elevada, cria-se uma barreira de proteção que impede a circulação do vírus e protege indiretamente quem não pode se vacinar.

A vacina do sarampo impede a infecção e a transmissão com alta efetividade. Ela tem essa capacidade esterilizante, evitando que a pessoa se torne transmissora”, explicou.

Risco de casos importados

A bebê diagnosticada viajou com a família para a Bolívia, país que enfrenta um surto da doença desde o ano passado. O caso reforça o risco de infecções importadas desencadearem novos surtos no Brasil, especialmente em cenários de baixa cobertura vacinal.

O sarampo é altamente transmissível, principalmente entre não vacinados. Sem uma boa cobertura, o vírus pode circular mesmo sem viagens internacionais, devido ao fluxo de pessoas vindas de regiões com surto”, alertou Kfouri.

Cobertura ainda abaixo do ideal

Em 2024, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal no tempo adequado — índice abaixo do recomendado para garantir proteção coletiva.

A imunização oferece proteção duradoura, mas crianças, adolescentes e adultos sem comprovação vacinal devem atualizar a caderneta. Pessoas de 5 a 29 anos devem receber duas doses, com intervalo de um mês; já entre 30 e 59 anos, a recomendação é de dose única. A vacina não é indicada para gestantes e pessoas imunocomprometidas.

Apesar do caso registrado neste ano, o Brasil mantém o certificado de área livre do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2024, já que não há transmissão sustentada da doença no país.

O histórico recente, no entanto, acende o sinal de alerta: o país já havia conquistado esse status em 2016, mas perdeu o certificado em 2019 após surtos iniciados por casos importados.

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