O ex-agente da CIA John Kiriakou afirmou ter recebido de um antigo colega um relato sobre uma suposta atuação da agência de inteligência dos Estados Unidos para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição brasileira. Segundo Kiriakou, a estratégia envolveria a divulgação de informações favoráveis ao candidato na imprensa brasileira e internacional.
A declaração foi feita nesta terça-feira (6), durante o podcast apresentado pelo ex-agente. Kiriakou ressaltou, porém, que não sabe se a informação é verdadeira e afirmou não ter provas que confirmem a existência da suposta operação. O relato foi publicado originalmente pelo jornalista Jamil Chade, do ICL Notícias.
“Ouvi um rumor de um ex-colega meu da CIA, neste fim de semana, que a agência está ativamente trabalhando nos bastidores para apoiar Bolsonaro“, afirmou Kiriakou.
Segundo ele, a suposta atuação ocorreria por meio do que classificou como “plantando histórias pro-Bolsonaro” em veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros.
Ex-agente cita histórico da CIA
Durante o podcast, Kiriakou mencionou casos históricos em que a CIA teria atuado em eleições de outros países e afirmou que a agência já teria trabalhado para influenciar narrativas na imprensa.
Ele também relacionou o relato ao cenário eleitoral brasileiro e ao apoio declarado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Até o momento, a declaração de Kiriakou não foi acompanhada de evidências públicas que comprovem a suposta atuação da agência na eleição brasileira.
Contato com Lula
No início da semana, Kiriakou afirmou nas redes sociais que havia se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) três anos atrás.
Durante o podcast, ele explicou que o contato ocorreu após um assessor de Lula procurá-lo para conversar sobre transparência no governo. Entre os assuntos discutidos, segundo o ex-agente, estava a violência policial durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Quem é John Kiriakou
Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004. Em 2013, declarou-se culpado por revelar a identidade de um agente infiltrado da agência a um repórter e foi condenado a 30 meses de prisão por um tribunal federal dos Estados Unidos.
O ex-agente ganhou notoriedade em 2007, durante o governo de George W. Bush, após afirmar em entrevista à rede ABC que a técnica de interrogatório conhecida como waterboarding, que simula afogamento, havia sido utilizada contra Abu Zubaida, então detido em Guantánamo.



