Guia orienta profissionais sobre mudança no rastreamento do câncer de colo do útero

Nova versão, lançada nesta quinta-feira (8), destaca substituição gradual do Papanicolau pelo teste DNA-HPV no SUS
Jéssica Gomes
João Risi / MS

A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8) a nova versão do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, dentro das ações do Janeiro Verde, mês dedicado à conscientização e prevenção da doença. O material atualizado orienta profissionais de saúde sobre a transição no rastreamento, que prevê a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV.

A primeira edição do guia foi publicada em 2022, quando o rastreamento era baseado principalmente na citologia do Papanicolau e nas estratégias de vacinação contra o HPV (papilomavírus humano), a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Desde então, mudanças significativas foram incorporadas às políticas públicas, especialmente a partir de 2024 e 2025.

Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, houve ampliação do público-alvo da vacinação contra o HPV e a incorporação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dos testes moleculares para detecção do HPV oncogênico. “Essas mudanças exigiram a atualização do guia para apoiar os profissionais nesse novo cenário”, afirmou.

Os testes moleculares de DNA-HPV começaram a ser implementados no SUS em setembro do ano passado, por meio de um núcleo criado na Secretaria de Atenção Especializada em Saúde, do Ministério da Saúde. A implantação ocorre de forma gradativa e teve início em municípios de 12 estados, que se encontram em diferentes estágios do processo. Segundo a Fundação do Câncer, novas tratativas já estão em andamento para expandir a estratégia a outros 12 estados.

Enquanto o rastreamento molecular não estiver disponível em determinadas localidades, seguem valendo as diretrizes baseadas no exame citológico. O guia atualizado já incorpora as recomendações das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que preveem a transição progressiva para o teste DNA-HPV.

De acordo com o cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, o novo método amplia a capacidade de detecção precoce. “Enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares já existentes, o teste molecular detecta a infecção pelo HPV, tornando as estratégias de prevenção mais efetivas”, explicou.

Público-alvo e periodicidade

O público-alvo do rastreamento permanece o mesmo no Brasil: mulheres de 25 a 64 anos. A decisão de manter essa faixa etária, segundo Flávia Corrêa, evita a coexistência de dois métodos distintos na mesma unidade de saúde, o que poderia gerar confusão e duplicidade de exames.

Outra mudança relevante está na periodicidade. No modelo citológico, após dois exames negativos com intervalo anual, o Papanicolau passa a ser realizado a cada três anos. Já com o teste DNA-HPV, considerado mais sensível, o intervalo pode ser ampliado para cinco anos em casos de resultado negativo, já que cerca de 99% das mulheres não apresentam infecção nem lesões precursoras.

Mulheres com resultado positivo para os tipos HPV 16 e 18, responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero, são encaminhadas diretamente para colposcopia. Para aquelas que testarem positivo para outros tipos de HPV oncogênico, a citologia reflexa é realizada no mesmo material coletado. Se houver alteração, o encaminhamento também é para colposcopia; se o resultado for normal, o teste de HPV deve ser repetido em um ano.

O novo guia já está disponível e tem como objetivo padronizar condutas, ampliar o diagnóstico precoce e contribuir para a redução da incidência e da mortalidade por câncer de colo do útero no país.

Compartilhe:

Últimas Notícias
Categorias