Lula assina decreto para ampliar proteção das mulheres na internet e endurecer combate à violência

Pacote inclui novas leis, cadastro nacional de agressores e regras para plataformas digitais
Redação
Anna Perucelli

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que amplia a proteção das mulheres no ambiente digital e estabelece deveres para plataformas digitais no combate à violência online. A medida foi anunciada durante cerimônia no Palácio do Planalto, que marcou os 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.

O decreto cria mecanismos de prevenção e enfrentamento a crimes virtuais contra mulheres, reforçando a responsabilização das plataformas diante de conteúdos e práticas violentas na internet.

Novas leis ampliam punições e proteção

Além do decreto, Lula sancionou quatro novas leis voltadas ao combate à violência de gênero. As medidas:

  • Criam o Cadastro Nacional de Agressores;
  • Ampliam hipóteses de afastamento imediato do agressor;
  • Endurecem punições para criminosos que seguem ameaçando vítimas mesmo presos;
  • Reduzem burocracias para acelerar medidas protetivas.

O pacote reforça a estratégia do governo de ampliar a atuação do Estado no combate ao feminicídio e à violência doméstica.

Pressão sobre plataformas digitais

Um dos principais pontos políticos da medida é a regulamentação da atuação das plataformas digitais diante de crimes virtuais contra mulheres. O decreto amplia a pressão sobre empresas de tecnologia para adoção de mecanismos mais rápidos de prevenção, remoção de conteúdo e cooperação com autoridades.

A iniciativa ocorre em meio ao avanço do debate sobre responsabilização das big techs no Brasil e sobre os limites da autorregulação das redes sociais.

Educação e mudança cultural

Durante o evento, Lula defendeu que o combate ao machismo passe também pela educação e pela transformação cultural nas relações de gênero.

O que nós estamos provando aqui é que o silêncio e a omissão não ajudam”, afirmou o presidente.

Ele também defendeu que temas relacionados à violência contra a mulher sejam debatidos nas escolas, argumentando que o problema deve ser enfrentado coletivamente pela sociedade.

Debate político e desafios

As medidas devem fortalecer o discurso do governo na pauta dos direitos das mulheres, especialmente junto a movimentos sociais e setores progressistas. Por outro lado, temas ligados à atuação das plataformas digitais podem gerar debate no Congresso e entre grupos que defendem menor intervenção estatal nas redes.

O governo aposta no Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio como eixo de integração entre Executivo, Legislativo e Judiciário para enfrentar o aumento dos casos de violência contra mulheres no país.

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