Mar branco de fé: Lavagem do Bonfim 2026 reúne multidão em cortejo de devoção e sincretismo

Pedro Pinheiro
Bruno Concha | PMS

O sol forte do verão baiano não intimidou os fiéis. Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (15), a Cidade Baixa foi tomada por um imenso “tapete branco”. A tradicional Lavagem do Bonfim de 2026 confirmou mais uma vez sua grandiosidade, unindo o sagrado e o profano, em uma das maiores manifestações culturais do Brasil.

Sob o lema “Quem tem fé, vai a pé”, uma multidão estimada preliminarmente pelas autoridades em mais de um milhão de pessoas iniciou o cortejo de pouco mais de 6 quilômetros. A caminhada partiu da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, rumo à Colina Sagrada.

O momento mais aguardado ocorreu por volta do meio-dia, quando as Baianas típicas, com seus trajes engomados e turbantes, chegaram ao adro da Basílica do Senhor do Bonfim. Carregando as tradicionais vassouras e vasos com água de cheiro (uma mistura de flores e ervas), elas lavaram as escadarias da igreja, num ritual que simboliza purificação e agradecimento.

Para o catolicismo, a devoção é ao Senhor do Bonfim (Jesus Cristo crucificado). Para as religiões de matriz africana, a homenagem é a Oxalá, o pai de todos os orixás, que veste branco.

“Eu venho aqui há 40 anos. Agradecer pela saúde da minha família e pedir paz para o mundo, que está precisando tanto. O calor a gente nem sente quando o coração está cheio de gratidão”, disse Maria de Lourdes, 68 anos, aposentada e devota, enquanto amarrava uma fitinha no gradil da igreja.

Como de costume, o cortejo também serviu de vitrine política. O governador da Bahia e o prefeito de Salvador marcaram presença na saída do cortejo, acompanhados de secretários e lideranças, reforçando a importância institucional do evento para o turismo e a cultura do estado. Artistas e celebridades também foram vistos misturados ao povo ou em janelas e camarotes ao longo do percurso.

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