Oruam é considerado foragido após 66 violações à tornozeleira eletrônica

Equipamento está desligado desde o último domingo; Justiça decretou prisão preventiva
Jéssica Gomes
ORUAM/INSTAGRAM

O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, é considerado foragido após a 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro determinar sua prisão preventiva nesta terça-feira (3). Segundo a Polícia Civil, equipes estiveram na residência do artista para cumprir a ordem judicial, mas ele não foi localizado.

Oruam é réu em uma ação penal que apura tentativa de homicídio qualificado e estava em liberdade mediante o uso de tornozeleira eletrônica, por força de uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão, no entanto, foi revogada após o tribunal analisar relatórios da Coordenação de Monitoração Eletrônica da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), que apontaram sucessivos descumprimentos das medidas cautelares.

De acordo com os autos do processo, o rapper violou reiteradamente o recolhimento domiciliar noturno e apresentou um padrão recorrente de negligência com o equipamento de monitoramento. Entre outubro e novembro de 2025, foram registrados 22 incidentes, incluindo longos períodos com a tornozeleira desligada.

Histórico de violações

A Seap informou que Oruam compareceu à Central de Monitoração Eletrônica no dia 9 de dezembro de 2025, quando o equipamento foi substituído. A tornozeleira retirada foi encaminhada para perícia técnica, que constatou dano eletrônico possivelmente causado por alto impacto.

Segundo a secretaria, o rapper utiliza tornozeleira eletrônica desde 30 de setembro do ano passado e, a partir de 1º de novembro, passou a acumular sucessivas violações, totalizando 66 ocorrências. Deste total, 21 foram consideradas graves apenas em 2026, a maioria relacionada à falta de carregamento da bateria.

Ainda conforme a Seap, as irregularidades foram comunicadas ao Poder Judiciário por meio de relatórios mensais encaminhados à 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Após a troca do dispositivo, o novo equipamento também passou a apresentar falhas por ausência de carregamento e, desde 1º de fevereiro deste ano, permanece descarregado.

Diante das infrações, o Ministério Público solicitou a prisão preventiva do acusado. Embora o juízo tenha reconhecido inicialmente o descumprimento das medidas cautelares, a prisão não foi decretada naquele momento em razão da liminar então vigente do STJ. Com a revogação da decisão, a juíza Tula Corrêa de Mello determinou a retomada da prisão preventiva, ao entender que as medidas alternativas se mostraram insuficientes para garantir a ordem pública e a efetividade do processo penal.

Acusação

Oruam responde por tentativa de homicídio qualificado contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Também são réus no processo Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos.

De acordo com a denúncia, durante uma operação policial realizada em 22 de julho de 2025, na casa do rapper, para cumprimento de um mandado de busca e apreensão de um menor suspeito de atos análogos ao tráfico de drogas e crimes patrimoniais, Oruam e outras sete pessoas teriam arremessado pedras de grande peso e volume contra os agentes.

O rapper é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, que cumpre pena em uma penitenciária federal.

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