O Vitória enfrenta uma cobrança da Portuguesa pela compra do atacante Renê, artilheiro rubro-negro na temporada, com 17 gols marcados. O clube paulista acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) e solicitou que o jogador seja impedido de atuar até a quitação da dívida.
Renê foi inicialmente emprestado ao Vitória por R$ 700 mil e, posteriormente, comprado por R$ 5,8 milhões. O presidente rubro-negro, Fábio Mota, confirmou a pendência financeira, mas afirmou que tenta negociar um acordo para compensar parte do valor com uma dívida da Portuguesa referente à transferência do meia Daniel Júnior.
Segundo o dirigente, o clube paulista deve cerca de R$ 1 milhão ao Vitória, enquanto o Rubro-Negro tem aproximadamente R$ 2 milhões a pagar pela contratação de Renê. A proposta é descontar o crédito referente a Daniel Júnior e quitar a diferença.
“Abate o que está devendo e dá a diferença. A gente vai resolver. É um detalhe pequeno”, declarou Fábio Mota, ao explicar que as dificuldades financeiras do Vitória também estão relacionadas à redução de receitas com casas de apostas e a valores não recebidos de outras negociações.
Portuguesa contesta versão do Vitória
Em resposta ao ge, a Portuguesa afirmou que não possui parcelas vencidas referentes à compra de Daniel Júnior. De acordo com o clube paulista, embora tenha existido uma pendência anterior, o valor foi parcialmente compensado durante a negociação de Renê.
A Lusa afirma ter abatido R$ 625 mil, referentes a parcelas de Daniel Júnior entre junho e outubro, de uma prestação de R$ 904 mil que o Vitória deveria pagar pela contratação do atacante em 1º de novembro.
Com isso, a Portuguesa aponta que a dívida atual do clube baiano é de R$ 2.279.000,00. O clube paulista acrescentou que as parcelas restantes de Daniel Júnior, no valor de R$ 125 mil cada, seguem o cronograma acordado e serão pagas entre novembro de 2026 e abril de 2027.
Daniel Júnior atuou em 12 partidas pelo Vitória em 2024. No ano seguinte, foi negociado com a Portuguesa, onde disputou cinco jogos antes de ser transferido para o Nacional, de Portugal, seu atual clube.
Por que a Portuguesa acionou a agência?
Segundo a versão do clube paulista, o Vitória recebeu uma notificação extrajudicial em 2 de outubro, após descumprir novos prazos de pagamento. Depois de outra promessa não cumprida, a Portuguesa formalizou a reclamação na ANRESF em 14 de outubro.
A equipe também contestou a justificativa de Fábio Mota sobre a suspensão das atividades das casas de apostas esportivas. Para a Portuguesa, a inadimplência começou em 1º de setembro, antes do anúncio da medida pelo Governo Federal, em 25 de setembro.
A Lusa afirmou ainda que não recebeu uma nova proposta formal do Vitória para renegociar o pagamento.
Renê pode ser impedido de jogar?
A Portuguesa pediu à ANRESF que Renê seja impedido de entrar em campo enquanto a dívida não for quitada. O clube paulista defendeu que a medida poderia estimular o cumprimento dos compromissos financeiros e fortalecer o fair play no futebol brasileiro.
Fábio Mota, por sua vez, afirmou que não há impedimento legal para a utilização do atacante e disse que o Vitória ainda não havia sido notificado sobre a ação na agência.
Renê, no entanto, já está fora do próximo compromisso rubro-negro. O atacante não enfrenta o Athletico-PR neste sábado, às 16h30, no Barradão, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, porque está suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos.



