O senador Jaques Wagner se pronunciou pela primeira vez nesta quinta-feira (18) após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master. O parlamentar negou qualquer envolvimento com o esquema apurado e afirmou estar tranquilo em relação às acusações.
Durante entrevista à BandNews TV, Wagner comentou os valores encontrados em endereços ligados a ele — US$ 55 mil e 33 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 471 mil na cotação atual. Segundo o senador, os recursos são provenientes de diárias acumuladas ao longo de sua atuação parlamentar e de valores destinados a viagens internacionais.
“Estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém do Master. Estou absolutamente à vontade”, declarou.
A investigação aponta suspeitas de que o petista teria recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos que somariam R$ 3,5 milhões, supostamente vinculados ao Banco Master por meio de uma empresa ligada a um familiar. De acordo com a Polícia Federal, a estrutura teria sido utilizada para ocultar vantagens indevidas investigadas na Operação Compliance Zero.
Ao rebater as acusações, Wagner afirmou que o imóvel citado pelos investigadores corresponde a um apartamento ainda em construção, cuja aquisição estaria sendo negociada para sua filha. Ele também confirmou que aparelhos celulares foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados.
O senador minimizou ainda sua relação com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo ele, os dois se encontraram apenas duas vezes, sendo que em uma das ocasiões apresentou ao empresário o nome do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
No campo político, Wagner revelou ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a operação. Segundo ele, o chefe do Executivo manifestou solidariedade e não tratou de qualquer mudança na liderança do governo no Senado.
“Continuo na liderança até que o presidente Lula peça para me retirar. Não acho que ele faça isso, mas, se fizer, é um direito dele”, afirmou.
Apesar da investigação, o senador garantiu que seus planos eleitorais permanecem inalterados e reforçou que pretende disputar a reeleição em 2026.
“Em relação à minha candidatura, está absolutamente mantida. Estou muito seguro de tudo que fiz”, declarou.



