A Polícia Federal encontrou uma sala escondida em um hangar no Aeroporto de Brasília ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O espaço, oculto atrás de um painel de madeira, tinha estantes, uma mala vazia e uma máquina de contar dinheiro. A PF suspeita que o local poderia ser usado para armazenar e contar cédulas, mas, segundo a defesa, nenhum dinheiro foi encontrado. A informação foi publicada pelo jornal Estadão.
A descoberta ocorreu em agosto, durante uma operação relacionada à investigação de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Tomaz e Flávio são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com possível utilização de plataformas de apostas.
PF investiga movimentações bilionárias
Segundo a investigação, Tomaz teria movimentado cerca de R$ 5 bilhões em apostas ao longo de 2025, com operações que ultrapassaram R$ 35 milhões em determinados dias. Para os investigadores, os valores seriam incompatíveis com a atividade econômica do advogado, o que levantou suspeitas sobre o possível uso das plataformas para circulação de recursos.
A PF também encontrou mensagens que indicariam um pagamento de R$ 12 mil feito por Tomaz a uma empresa para retirar da internet reportagens que o relacionavam a Flávio Bolsonaro.
E-mails analisados pelos investigadores apontariam ainda que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta da Alcazar, empresa controlada pelo advogado. Outra companhia ligada a Tomaz teria custeado viagens da família Bolsonaro à Europa em 2025.
Defesas negam irregularidades
A defesa de Willer Tomaz afirma que a sala e os equipamentos encontrados no hangar eram utilizados por empresas de transporte de valores. Os advogados negam irregularidades e sustentam que os recursos do cliente têm origem lícita e foram declarados às autoridades fiscais.
A defesa também afirma que Tomaz atua como advogado da Riopag, sem participar da gestão das empresas envolvidas nas operações investigadas.
Já a assessoria de Flávio Bolsonaro declarou que o senador nunca teve conta na qual Tomaz ou empresas ligadas a ele figurassem como usuários master.
As suspeitas seguem sob investigação da Polícia Federal. Os elementos citados no inquérito ainda precisam ser analisados no curso dos procedimentos, e as acusações não representam, por si só, comprovação de crimes.



