O atacante Richarlison divulgou nas redes sociais documentos relacionados à compra de uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e voltou a acusar o advogado Willer Tomaz de irregularidades na transferência dos direitos sobre o imóvel. O jogador afirma ter investido R$ 10 milhões na propriedade em 2020 e diz que procurou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), amigo do advogado, para tentar resolver a disputa.
Segundo Richarlison, o valor investido incluiu pagamentos a antigos posseiros, reformas e gastos com segurança. O atleta sustenta que Tomaz teria utilizado uma empresa com problemas cadastrais e sócios falecidos para transferir os direitos sobre a ilha. Também questiona uma mudança em decisão judicial que, segundo ele, ocorreu após a contratação de um advogado ligado à família de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Tomaz nega irregularidades e afirma que a situação do imóvel foi regularizada judicialmente. Flávio Bolsonaro, por sua vez, diz não ter envolvimento irregular no caso e classifica as acusações contra ele como infundadas.
Disputa também envolve pedido para impedir publicações
A divulgação dos documentos ocorreu após vir à tona que Tomaz e uma empresa ligada a ele acionaram a Justiça para tentar impedir Richarlison de publicar conteúdos sobre a disputa.
Em agosto, o pedido de urgência foi negado. Na decisão, a Justiça considerou que a medida poderia configurar censura prévia. O processo segue em tramitação.
O advogado afirma que busca impedir a divulgação de informações falsas. Richarlison declarou que só tomou conhecimento da ação depois de ser procurado pelo UOL.
O caso também chegou ao STJ. O jogador defende que as supostas irregularidades na transferência dos direitos sobre a ilha sejam investigadas pela Polícia Federal.
Relatório da PF aponta possíveis vínculos entre senador e advogado
Em outra frente, um relatório da Polícia Federal aponta possíveis vínculos financeiros, empresariais e pessoais entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Entre os elementos citados estão o cadastro do senador como “usuário master” de uma conta da Alcazar Holding, controlada pelo advogado, além de registros de viagens em jatinhos particulares e de convivência entre os dois.
A investigação também identificou mensagens sobre um pagamento de R$ 9 mil destinado à remoção ou desindexação de 12 links de notícias relacionados a Tomaz e à ligação dele com o senador.
Tomaz nega manter relação comercial com Flávio e afirma que as famílias são amigas, justificando as viagens pela convivência pessoal. Ambos também contestam a informação de que o parlamentar teria sido usuário master da conta da Alcazar Holding.
Flávio afirma que associar sua amizade com o advogado a possíveis irregularidades é uma ilação sem fundamento. As acusações relacionadas à disputa pelo imóvel e aos vínculos mencionados no relatório permanecem sob contestação.



